segunda-feira, 22 de julho de 2013

Uma ida à ilha do sol nascente. Um lugar estranho


Uma terra de samurais e suas espadas mortais, suicídios pela honra, meninas de cara branca, que treinam, estudam até serem perfeitas. Terra de lutas e de catástrofes naturais, onde há a maior taxa de terramotos do mundo. Um país que se levanta sempre que as placas tectónicas abanam, de forma elegante e astuta.
As ruas são direitas, limpas e organizadas. As pessoas são silenciosas, no metro tira-se o som ao telemóvel para não incomodar quem partilha o transporte. Têm sanitas de tampo quente - um mimo no inverno – que dão música e limpam quem as usa.
- Fiquei maravilhada com as sanitas. Era inverno, soube tão bem! – contou.
O metro é uma loucura, com as suas linhas curvas e o seu mar de gente. A noite anima. Há uma imensidão de bares a visitar, para todos os estilos e feitios.
Linda aventurou-se em alguns locais.
Primeira paragem foi em Osaka, a uma casa de sake. Produzido no local e para vender apenas dentro do país. As prateleiras estão cheias de marcas de sake – quente ou frio, como se preferir provar.
Sake é coisa boa e Linda e o seu amigo apressaram-se a escolher o maior número de sakes possível. Aquecer, que era Inverno.
Já com muito arroz no sangue a segunda visita foi a umas das ruas mais proibidas, onde fotografias não são permitidas.
- Tirei a máquina para tirar um fotografia e o meu amigo gritou de imediato, que eu não podia fotografar. Estávamos em território da Yakuza - máfia japonesa.
A rua era peculiar e, sem dúvida made in Japan. De forma alinhada, à boa arquitectura nipónica, haviam várias portas, em formato de um quadrado grande. À porta estava uma senhora mais velha  a dizer “Come, come” e uma menina, vestida num qualquer cartoon sexy, a sorrir. Sentada de forma alinhada e dar um ar de fofinha, como nos bonecos animados.
Para quem não sabe, os japoneses têm também banda de desenhada e desenhos animados pornográficos do mais hardcore que se possa imaginar. Mas, não era só disposição das ruas que lhe dava a beleza - iluminada quase apenas pelas luzes daqueles quadrados. Cada rua estava organizada por idades e feitios.
- Há pessoas que gostam de mulheres mais velhas, ou mais gordas, então as ruas estão desenhadas para que estejam em secções – explicou o amigo local.
Até a prostituição neste país é feita de forma delicada e engraçada. Parece saída de um dos seus muitos filmes para adultos em bonecos.
Depois de uma rua proibida  aconteceu um bar chamado “Ai” – que quer dizer amor em japonês. Lá dentro há muito amor para dar, mas amor gay... e karaoke. O empregado era um senhor dos seus sessenta anos, super gay, enquanto fazia as bebidas, animava os clientes. Com o seu uniforme de bartender de um filme dos anos 50 americano, ele cantava, representava e aproveitava e ia tocando nos clientes. Um maroto. Mas, uma verdadeira diva.
O álcool já ia alto, era hora de recolher, que no dia seguinte rumava-se a Quioto.
Quioto é terra de geishas, de histórias de amor, de  harakiris.  Uma cidade onde se fala um japonês diferente. Onde há história e tradição tão enraizada, que numa qualquer altura nos podemos sentir num Japão da era dos samurais.
Como por exemplo, numa ida a um bar.
As meninas da cara branca já não se passeiam pela rua como no seu imaginário. São restritas, vivem num círculo, onde só alguns podem entrar e apreciar a sua arte.
A Linda, a coisa correu melhor do que se esperava. Ao seu lado no bar, estava um menina maiko, uma aprendiz de geisha – vestida e maquilhada a rigor, com gestos perfeitos, uma timidez sensual e um sorrir, com a mão de lado dos lábios a tapar, a dar o ar da sua graça. Uma imagem que tinha de leituras e que estava agora a ver na vida real.
- Elas existem mesmo. E são mesmo assim!!!
Foi-lhe dito que era a mais bonita da cidade e tinha apenas 15 anos. Com hora de princesa, a “mãe” liga e ela apressa-se a seguir caminho para o recolher à casa. Este episódio desenhou Quioto para Linda.
Tempo de seguir para Tóquio. Primeiro os arredores, tranquilo, como qualquer periferia da cidade. Um restaurante com almofadas para nos sentarmos  naquelas mesas pequeninas que se via no Doraemon. E as casas são como a casa do Nobita. Portas grandes de correr e quartos com tatamis.
Para relaxar, os amigos levaram Linda à sauna. Uma sauna japonesa, é preciso frisar. Ela entra nos balneários e está toda a gente nua. A amiga, que tinha acabado de conhecer, começou-se a despir. Linda seguiu-a. Tanto à vontade com a nudez, fez corar a nossa personagem, que às tantas andava de toalha atrás para não se sentir tão nua. E apenas ela...
Tomar banho é também ele um acto diferente. Há um banco, uma bacia, um chuveiro e um espelho. Banho é sentado e com toda a calma do mundo.
Tóquio, a cidade é a loucura. Uma cidade grande, uma capital. Onde o estranho acontece, onde pessoas saem em personagens animadas e há bares onde o mundo da fantasia se dá quando se pede algo especial. Uma bar de cosplay. As empregadas estão vestidas de desenhos animados e um pedido de omelete de arroz tem direito a um desenho com ketchup no ovo  e a tirar uma fotografia com as meninas - num qualquer adereço do mundo animado. As luzes apagam-se e há que dizer um dito e fazer um coração com as mãos.
- É ser a Alice no país dos nipónicos. De repente encolhemos e estamos num outro mundo.
Depois de tanta fofura, ruma-se a um bar de metal para descontrair. Num prédio bastante discreto e estreito - uma porta, um elevador, um andar com poucos metros de espaço  uma porta - que quando aberta há escuro e uma luz vermelha, uma música alta e que soa bem aos ouvidos mais rudes e uma decoração de Halloween com classe. Uma prateleira cheia de CD´s onde Linda encontra Ugly Kid Joe.
- Foi logo um disco pedidos. A risota foi geral.
Havia um casal, os donos do bar, que num inglês meio rústico e umas traduções pelo meio, Linda entendeu que ele tinha tido uma banda.
- Interessante. E como se chamava? – pergunta Linda educadamente.
Ele mostra-lhe o CD que produziram. Na capa estavam mulheres... aparentemente. E a mais bonita era... o dono do bar.  Ou seja, a banda dele vestia-se mulher. Ao que Linda apurou teria sido algo bastante trendy no Japão. Homens vestidos de mulher a cantar e a tocar.
E está na hora de ir a um restaurante de um amigo, que sabe combinar na perfeição um bom prato e um belo sake. A comida é saborosa, e é bem mais que sushi ou peixe cru.
Esclarecer que para os japoneses sushi é fast food, inclusivé é de bom tom comer sushi com a mão e não com pauzinhos.
Os japoneses quando lhes dá para beber sake, é pela noite adentro, Linda confessa que a dada altura deitou-se e ficou-se.
- Ia ouvindo-os e só pensava como é que eles ainda estavam de pé.
Houve ainda um bar de rocka billys, com roupa, bebidas e decoração a preceito.