domingo, 14 de julho de 2013

Uma Angkor e uma lady, please


Sair à noite.

Sair à noite faz parte de um ser social. Num país que se visita ou se está pela primeira vez a explorar, uma saída a horas indecentes sabe sempre bem. E aqui as horas podem ser bastante “indecentes”. E não se fala numa questão de horário, mas da tentação dos muitos bares que decoram as ruas de Phnom Pehn. Se é para turista ver, pode tocar, se é para locais abra a mala, por favor, que aqui às vezes há fogo de armas a dar vivacidade à noite.
Se for homem, a primiera pergunta é:
- Do you want a lady? Versão inglesa de “Quer uma menina?”
- Ah, para já quero só uma Angkor*.


E isto ouviu Linda.
Entrar num bar ou num tão adorado karaoke, para uma mulher, é estranho.
- Para aí umas 15 ou 20 mulheres que se levantam e com as mãos em forma de oração, agradecem a ida ao estabelecimento e te levam a uma qualquer mesa, para mais tarde se sentarem contigo.
Linda descreve como uma sensação de alguma homossexualidade. Tanta atenção e tanta mulher.
- E o que se faz nessa situação?
- Sei lá, eu sorria, dizia olá, voltava os olhos para o chão e sentava-me o mais rapidamente possível. E sempre alguma menina vinha ter comigo sorria apenas. Sentavam-se e olhavam-me. Riam-se, faziam comentários e era isto.
Numa das noites Linda foi à cidade. Não se recorda do nome do bar. Um bar dirigido só por mulheres. Elas destinam o negócio e faziam parte da decoração do estabecimento. Pareciam gatos, sentadas em todo o lado, no balcão, nas cadeiras, nas mesas de bilhar, até à rua. Em dias de enchente nem consegue descrever, é uma confusão de mãos, de homens e mulheres. Às tantas não se sabe onde começa, nem acaba um futuro casal daquela noite. E se, por acaso há um homem aborrecido ou velho, toca de levantar e dar aos saltos altos, antes que ele queira ir para uma qualquer guesthouse, com massagens e happy endings.
O frenesim de mãos, a facilidade de comprar uma cerveja e uma menina, incomodaram-na, confessou.
- Tinha que sair dali. Fui-me sentar num banco na rua. Os homens vinham e iam numa mesma ânsia de satisfazer a libido. As mulheres com as pernas ao léu, a tentarem seduzir os sequiosos machos.
- Me not love you. You love me.
- Me not girlfriend. You want me , me not want you.
Um engate de primeira classe, portanto.
- Acho que Amesterdão e as suas coffee shops fazem as pessoas mais felizes. Pelo menos o aperitivo do café não fala e faz-nos rir. Este também, na verdade, mas não é a mesma coisa.


*Angkor é o nome dado a uma cerveja local, com o slogan “My country my beer – O meu país, a minha cerveja”.