domingo, 11 de agosto de 2013

Uma trapalhada eleitoral

A nossa personagem rejeita política e políticos, no entanto tem dentro de si algo que a faz vibrar quando se aborda o tema. No Cambodja com a inflamação dos acontecimentos, Linda tem-se sentido, quase em missão. Quer saber tudo, fala com locais e estrangeiros, pelo menos com aqueles com quem pode falar. Tenta entender como funciona a política neste lado do mundo.
No passado dia 28 de Julho o povo Khmer votou. Votou para continuar a ter paz. Mas, começou nas urnas o regresso de instabilidade, quando houve pessoas a não constar nas listas, outros tinham o seu nome mais que uma vez; ou pessoas a votar duas vezes e as autoridades a darem cartões de voto temporários. Tudo vale para o belo do“cacique”.  Prometeram-se protestos.
A agitação teve início. Protestos e algumas pedras atiradas por gente local aos vietnamitas que podem votar. A oposição estava atenta. O líder do Cambodja tem a fama de ser um fantoche manobrado pelo Vietname.
Havia tensão no ar, as pessoas estava agitadas e assustadas.  
- A polícia tinha lançado uns tiros para o ar para parar as reivindicação. Em terra de guerra é o suficiente para o pânico – comentou Linda.
Phom Pehn aliviou-se de gente e de trânsito. Ficou uma cidade tranquila, mas por dentro estava em convulsão. As pessoas estavam a ficar nas suas províncias, onde tinham ido votar. Linda ouviu que o objectivo é manter o maior número de pessoas fora da cidade.
Jackon o amigo de Linda estava em frenesim.
- Sabes, o meu vizinho disse-me para ir comprar mantimentos e fechar-me em casa. A minha namorada quer que vá ter com ela à província. Nem quer voltar sozinha, vai tentar regressar com escolta.
- Oh, outras pessoas disseram-me para me preparar para ir para Siem Reap. - E outras dizem está tudo bem.
Depois de todas as mensagens, a nossa personagem perguntou-lhe:
- E o que estás a fazer.
- Estou no mercado a fazer compras, que vou-me fechar em casa. Faço o que diz o meu vizinho.
E este era o cenário local.

A tensão continua. 

O Cambodja tem um líder há 28 anos e, segundo o que foi escrito em notícias, décadas de autoridade dão à pessoa em causa, poder sobre as eleições e sobre as instituições chave. A oposição reclama fraude massiva no processo eleitoral e ameaçou um boicote à porta da Assembleia Nacional, caso não seja levado a cabo uma investigação independente. A investigação começou. Estados Unidos, claro, que já tinha declarado o não apoio a este governo e a eleições fraudulentas. Aos USA junta-se a  União Europeia. Já estão ao serviço, numa dita independência.
O povo está num impasse. O Comité Eleitoral Nacional não revelou ainda os resultados oficiais. O partido no governo reclama a vitória . Pouco depois das urnas terem fechado, este anunciou ter ganho com 68 lugares a serem ocupados pelo Cambodian People’s Party (C.P.P.) e 55 pela oposição - Cambodia National Rescue Party (C.N.R.P.)
O Primeiro Ministro opõe-se a qualquer inquérito não supervisionado pela própria comissão eleitoral e ameaçou redistribuir os lugares do CPP pelos que  CNRP deixar vagos.
Quem paga é o povo, que de repente, vive tenso e na incerteza. A oposição já vai na terceira fase de protestos e diz não parar até que haja uma conclusão.
O potencial de manifestações em massa tem tendência a crescer. O governo viu-se obrigado a redobrar a segurança na capital. A Amnistia Internacional  apela às autoridades e aos  líderes políticos para prevenir a violência.
"As autoridades do Cambodja e de outros dirigentes políticos no país devem garantir que a tensão pós-eleitoral não expluda em violência. Muitos cambojanos quiseram mudança - os líderes políticos devem fazer tudo para garantir que esta seja alcançada pela via pacífica e com pleno respeito pelos direitos humanos" disse Isabelle Arradon, a Amnistia Internacional o Vice-director do Pacífico Asiático.
Diz-se que o povo pediu mudança, e de acordo com os resultados que saíram  nem tudo foi derrota. A oposição tem agora um dizer nas decisões, os lideres já não estão sozinhos.
No entanto, os partidos não param de se disputar, se Sam Rainsy – líder do CNRP diz que vai haver nova onda de protestos  Hun Sen, do CPP, retalia e diz que o seu partido pode realizar contra-manifestações.
Mais uma vez, o povo continua à deriva e intimidado. Do que se diz as pessoas têm cortes na Internet por cabo a certas horas, a base militar cortou o acesso. O líder actual promete aumentos nos salários dos funcionários públicos. E mais para o final do ano.

Mesmo quem quer oposição admite que não sabe se o Rainsy é a melhor opção ou teme pela retaliação. A água ainda agora começou a ferver. Espera-se que não seja atingido o ponto de ebulição. 
 - Também já ouvi quem diga que nada muda, seja qual for o nome do partido no governo... e quem está no poder já perpetuou a linha que se segue...