sábado, 6 de julho de 2013

Um reino sem rei nem roque


Sair para a cidade. Morar nos arredores de uma cidade é sempre mais pacífico e menos confuso. Em terras do Reino do Camboja só por alguns metros. As ruas principais estão apinhadas por motas e gente a andar lado a lado com elas, porque o mercado é mesmo a beira da estrada. Não há limites, onde acaba a estrada, nem onde começa o passeio, ou melhor o caminho por onde as pessoas podem andar. Não há conceito de passeio.
Na viagem para Phnom Penh, de mota, está claro, Linda conta, que se sentiu num daqueles documentários sobre o trânsito na Índia.
 - As motas estão tão perto umas das outras, num trânsito sem rei nem roque! Eles vêem de todo o lado.  As estradas são versão à escala real dos carrinhos de choque. O melhor é não mexer muito as mãos, não se vá largar uma bofetada no condutor ao lado e aí é que um caos. Imagino que seja como derrubar uma daquelas cadeias de peças de dominó. E para o mundo dos menos coordenados, onde eu me insiro, a arte de derrubar aconteça com grande espontâneadade . Até pode parecer um exagero, mas quem vive neste mundo, lá sabe como se defende de grandes embaraços – desabafa.
Voltando ao trânsito. Uma pequena Índia ou uma Tailândia mais caótica, onde toda a gente conduz, tenha carta ou não, desde que se saiba “safar” ao trânsito. 
Um país com uma independência e uma guerra violenta recentes. Um destino turístico exótico e místico, esquecido entre tão populares vizinhos -  Tailândia e o Vietnam. Países que outrora foram reinos do grande império Khmer.
Um reino em recuperação, que também por causa dos seus vizinhos caiu nas mãos da Indochina e foi arrasado pela guerra.
O trânsito é uma mostra de como anda o país, a tentar seguir estrada fora até ao desenvolvimento. Mas uma linha recta custa a traçar, em estradas onde contramão é mais que legal, dar passagens a peões não é preciso e a hora de ponta, não há ponta por onde se lhe pegue.
Ainda é um país puro, mais que uma Tailândia cravada de turistas e um Vietnam, dito sem pessoas calorosas. Onde o respeito se sente, onde um estrangeiro ainda pode ser benvindo, por vir e não por trazer umas quantas notas para gastar.
É certo que precisa de turistas e dos seus bolsos cheios. O turismo é um negócio à escala mundial. Onde há beleza há turismo a render. Isso movimenta a economia de um país. Assim o turista vem ajudar... não vem só para ser “chulado”.

- Não é diferente de outros locais, também há quem o faça, mas vendo a coisa pelo geral, as pessoas ainda importam e eles tratam-nos bem.