domingo, 14 de julho de 2013

Quando chove na capital do Reino


Phnom Penh é uma cidade movimentada, cheia de pessoas, de um número incontável de motas, outro tanto de tuk tuk´s, alguns carros dos bons e umas bicicletas. Ter um carro ostenta riqueza com certeza.
Qualquer um dos veículos mencionados desloca-se a uma velocidade sem pressa de chegar. A qualquer hora o trânsito é constante, motas, pessoas, motas que são táxis, motas que são tuk-tuk´s. Mas há horas em que tudo se compacta. Um verdadeiro salão de café, onde o trânsito é o “safa-se quem poder” e quem tem tempo, dá um dedo de conversa com o condutor ao lado. Qual cinema ao ar livre, dentro dos carros a namorar.
Quando chove as coisas parecem acelerar, mas na verdade é a intensidade da chuva que dá movimento. As motas parecem agora umas fugitivas, a beira das estradas enche-se de condutores, que à pressa vestem os seus ponchos impermeáveis para seguir viagem menos molhados. Os condutores dos tuk tuk´s apressam-se a fechar as cortinas para que os seus clientes não se molhem.
A chuva continua a cair forte e mais forte. Às vezes um raio de sol espreita só para dizer olá e que vai voltar com todo o seu esplendor. Por agora dá umas tréguas à temperatura e deixa cair a chuva.
A chuva limpa, apazigua as pessoas. Quando chove tudo parece acalmar. O calor, a poeira no ar e até a vida nas ruas.
- Quando passam dias sem chover o sol sente-se bem forte na pele. Queima numa simples volta de mota. Só desejo que chova – conta Linda depois de uns dias sem chover na cidade.
E choveu. Ouvir a chuva significa uma brisa fresca que sabe tão bem.
E chove na cidade, durante uma ou duas horas. Um verdadeiro dilúvio de Noé.
- A água do céu vai acabar – pensa Linda.
Não... acaba há sempre mais.
Linda George disse-me que gosta de chova.
- Adoro chuva, de andar à chuva. Parece que me limpa a alma e me recarrega o corpo.
O que recarrega também são as ruas da cidade, que em poucos minutos inundam. O trânsito baralha-se ainda mais.
Há buracos que deixam de ser ver e quando se encontram com a roda de uma mota, há um embate que envolve um salto e uma dor no rabo.
- Surfing in the road... é isso que costumo cantar... – diz rindo-se.
Para além dos buracos, há água a passar dos pedáis e pés mergulhados em água.
- É incrível a sensação!
Linda George conta que a primeira vez que se viu no meio de um trânsito inundado e louco, adorou.
- Achei um piadão.
Há ilhas de água que se formam nas estradas. Andar a pé é ainda mais difícil.
Linda recorda um noite, depois de uma chuva intensa, querer ir beber uma cerveja ao restaurante mesmo ali ao pé de casa, com seu amigo Wild Bill. Um verdadeiro desafio digno dos Jogos sem Fronteiras.
- Andámos às voltas e acabávamos sempre num beco sem saída. A solução foi claro, mergulhar os pés na água barrenta e seguir sem medo até ao restaurante. À espera estavam as meninas do estabelecimento a rirem-se, que já nos deviam estar a apreciar há algum tempo.

Quando chove em Phnom Pehn o sol e a chuva dão-se tréguas, as pessoas esfriam o corpo e as ruas inudam. As motas ganham cores coloridas de ponchos protectores. Quando chove em Phnom Pehn a vida alivia.