sábado, 1 de junho de 2013

Há algo de errado no reino humano

Ser humano. O nome diz tudo. 

Ser... humano.Animal racional diz tudo também.

Palavras que se dedicam a explicar quem somos nós humanos, pessoas. Palavras que nos afastam do animal, dizem os cientistas, dito irracional. Dois conceitos que fazem pensar. Porque somos humanos.

“Penso logo existo”.No entanto, se temos a capacidade extra de pensar, porque é que o animal racional pensa tão mal.

Lembro-me da minha infância passada em frente ao televisor, todos os fins-de-semana, ao meio dia. Durante anos acompanhei religiosamente, cientistas, repórteres, jornalistas e outros estudiosos em aventuras à descoberta do mundo animal e selvagem. BBC Vida Selvagem.O meu preferido era o repórter e naturalista, Sir David Attenborough, que por detrás de folhagens e com um ar de detective me fazia descobrir faunas e floras pelo nosso mundo.


Tudo isto pela fabulosa voz de Eduardo Rêgo. Era ele o locutor, que me contava o que fazia e dizia o Sir Attenborough.

As imagens e... aquela voz apaixonavam-me. Era o meu horário para descobrir e sonhar. E sonhava... Sonhava com uma natureza inexplicável, organizada e bondosa. Idealizava um mundo onde seres racionais e seres irracionais viviam em harmonia.

Toda a criança cresce, mas algumas perguntas ficam. Então, já no estágio de capacidade de pensamento vai juntando peças.

Noutra fase, as peças vão fazendo sentido e chega-se a uma conclusão.

- Tudo parece ser simples, mas porque é que não é?

Mais tarde, comecei a ver o telejornal. Às oito da noite entrava um pivot pela minha casa adentro e falava em muitas desgraças. Guerra, crise, poder e bolsa de valores.

Sempre na moda estes temas. Para todas as estações, embora no verão as pessoas parecem ficar mais calmas.Há sempre um dinheirito que pode ser gasto em férias. Ou um empréstimo que se pode pedir ao banco.

E estes temas estão tão na moda, que décadas mais tarde e uma viragem de século, são mais famosas que as músicas dos anos 80.

A natureza, essa, continuava intacta. 



A pergunta persistia. Vieram outras perguntas... mais profundas. 

No fundo era o mesmo: descobrir o nosso mundo. O mundo intrigava-me cada vez mais. Comecei à procura de um sentido.

Comecei por descobrir uma bolha onde vivem pessoas ricas. Cheias de si, a esbanjar títulos e a acumularem estatutos de cinco estrelas. Pessoas com muito dinheiro, carros grandes em tamanho, que de carros pouco sei. E tinham um coisa que não se via, mas se sentia – poder.

E quem tem dinheiro quer poder e vice versa. Descobri então, a bolha da política. Reparei que os habitantes desta bolha também eram ricos, e que também eles possuíam títulos, e tinham... sobrenome.

Andavam à procura de visibilidade e de um emprego, digamos privilegiado. 

Pensei ainda com alguma esperança,que talvez houvesse uma espécie de cooperação. A esperança seria a última a morrer.

Mas... havia mais.

A Bolha do Poder é uma bolha que engole as outras, onde todos são poderosos, porque têm muito dinheiro (que a quantia vai aumentando de estatuto). Têm muito dinheiro, porque têm empregos privilegiados e mais uma vez, vice-versa.

O resto,são simplesmente pessoas, a quem estas bolhas traçam a vida.

É uma crise!

Crise económica quer dizer falta de dinheiro. Quem toma conta do dinheiro é uma instituição de seu nome Banco. Há vários tipos, com diferentes tipos de ofertas, vantagens e logótipos  Que só de nomes se tratam. O Banco guarda o dinheiro e bem...Dinheiro todos querem. 

O Banco faz-nos dependente desta substância e quando é necessário, tiram-na. A ressaca é grande e eles chama-na de crise ou de guerra. Pode demorar e consume a sociedade. Sociedade essa, que é constituída pelas simplesmente pessoas. Já as bolhas, ganham volume em tempo de crise. 

“Isn´t this ironic? A little too ironic”!

No nosso mundo o animal racional mata-se e tortura-se por prazer e por poder e segue-se  lei das Bolhas. Um verdadeiro labirinto, que às tantas não tem saída.No mundo selvagem respeita-se a cadeia alimentar e as leis da natureza. Matam para sobreviver e vigiam a sua presa até que o ataque seja decisivo.

As questões da natureza foram também sendo reveladas. Se as bolhas que fazem o mundo apenas agem por interesse e não por cooperação, nem o mundo selvagem lhes escapa. Esconde segredos e mistérios e tem espaço que podem gerar dinheiro. Assim se fecha o círculo.

Férias dadas e mal pagas

As simplesmente pessoas, que trabalham, precisam de férias. O ordenado é curto e não estica. Mas, férias... E quem salva as férias - o senhor Banco, está claro.

Promete empréstimos com juros baixos e uma série de vantagens no pagamento. E é hora de arrumar a mala, que vamos todos de férias. No final, estamos todos em crise.

Outra coisa que me intriga é que parece que as pessoas procuram agora locais desertos. Não querem muita gente à volta. Parece que o ser humano já não gosta da sua espécie.

O que eu assistia na BBC Vida Selvagem era um sentimento de pertença aos clãs, havia sentimento naqueles animais.Lembro-me de andar a seguir a vida de uma família de elefantes. Uma novela. Um pai, uma mãe e dois filhos. Os filhos nasceram quando começa a grande caminhada da estação. Juntos procuram alimento e segurança. 

Os pequenos Dumbos eram ainda vulneráveis aos inimigos e às condições atmosféricas. A meio da viagem, a tragédia é inevitável. Umas das crias morre. A mãe, ficou ao lado do corpo a chorar, a acariciá-lo com a tromba. A velar o seu filho morto.

Recordo-me também de uma colónia de formigas Cada uma com a sua função. Formigas respeitosas e trabalhadoras com alta taxa de sucesso pelo seu trabalho em equipa. Esta história  era contada nas histórias infantis.Quem não se lembra da cigarra e da formiga?

O ser humano também chora. Mães choram os seus filhos que morreram na grande caminhada  da estação que o ser humano enfrenta há séculos - a guerra.

A guerra também está sempre na moda, mas eu não gosto do que está na moda, tão pouco gosto de guerra. Acima de tudo, não entendo a guerra.É estranho pensar que se matam pessoas por uma razão frívola qualquer. A guerra começa nas bolhas e têm fim na grande Bolha.O nosso mundo tem petróleo, tem diamantes, tem substâncias psicadélicas  que a malta gosta e nalguns locais tem armas... uma fonte de riqueza apetecível. Uma riqueza que se pode transformar em dinheiro.

E tudo se resume a dinheiro. O ser humano, passou a ser "o ser dinheiro e ter dinheiro".O nosso mundo não é o mundo que me narravam todos os fins-de-semana. Não é um mundo onde se vive livre e muito menos um mundo onde tudo flui de forma natural.O nosso mundo esta repleto animais perigosos... tal como o selvagem. 

Os argumentos para o ataque são diferentes. A sede não é de manter o equilíbrio  ou simplesmente matar a sede, pelo contrário, é destabilizar o ser racional e desumanizar o ser humano.Na natureza tudo tem um sentido. Para o bem e para o mal, no mundo selvagem, cuidam uns dos outros e, parece que existem valores que há muito deixaram de existir no ser humano. E isto, é sentido numa espécie animal chamada irracional.