terça-feira, 23 de junho de 2015

Gente tao cool…

Em conversas aleatorias entre amigos, num outro dia, calhou em tema falar de vegetarianos, dos novos estilos que sao agora trendy, substituiem-se os velhos hippies pela nova tecnologia dos hipsters, que se ao que me parece se aliaram aos betinhos, que fartos dos polos e das calcinhas arranjadas, querem ser considerados mais alternativos, os punks foram passados para tras e estao em desuso, os goticos sao agora mais emocionais, e por ai alem no mundo das modas e dos grupos sociais.


Tantas vezes ouco falar e ouco pessoas assoberbadas de orgulho quando se dao o rotulo de vegetarianas. Abro ja aqui um parenteses para os mais susceptiveis, que nada tenho contra de quem escolhe esta dieta, mas quem a escolhe de forma desinterssada nao se gaba, nao deixa ao vento palavras bonitas, apenas o e, e ai nada a dizer. Aborrece-me sim, quem fala demais e age de menos.
Depois de as tanto ouvir e observar, percebi que este ser vegetariano e uma moda, um quer ser um tao cool e trendy, que nao sabe o que diz ou fala. Um ser que quer parecer, que a unica coisa que transmite e uma hipocrisia de algo que quer tentar ser de forma forcada e pouco digna.
Falam dos direitos dos animais, da brutalidade com que sao alimentados e levados ao momento da matanca. Pode tudo ter um fundo de verdade, mas claro esta, em toda a natureza, em toda a fauna e flora, existe, desde sempre, uma cadeia alimentar, uma luta pela sobrevivencia e isto provoca o equilibrio do mundo natural, ou assim o deveria ser.
Talvez se tenham esquecido dos bancos da escola e das aulas de ciencia. O que talvez se tenham esquecido e das noticias de tantas cacas ilegais, de tantos animais mortos por marfim ou por pele, que estes vegetarianos, na sua maioria filhos da riqueza e da vaidade, se passeiam pela vida a ostentarem boas botas de pele e casacos de cabedal, cujo dinheiro paga os cacadores ilegais e contribui para a continuacao da exterminacao de animais, quase sempre em vias de extincao. Tudo em nome da moda e da beleza vaga.
Gostam tambem de decorar as suas casas com fantasticas estatuetas ou artefactos feitos de marfim, que sacrificam tantos elefantes, e esses sim, nao sao feitos para comer. Talvez tambem no seu dia-a-dia de beleza trendy e cool usem a sua dispendiosa maquilhagem, feita dos sacrificios de tantos animais, como o grande mamifero dos mares. Por isso me questiono o que vai na cabeca desta gente. E com isto escondem a fealdade das suas atitudes, das suas caras cobertas de mentiras e cinismo.
      Mas comer carne para se alimentar, nao pode ser ser, porque mata os animaizinhos. Tambem talvez se esquecam que as plantas, elas seres vivos e umas ate sao carnivoras as grandes pecadoras.
     Hipocrisia, burrice ou simplemente mentes vazias de valores e de razao, que querem parecer bonitos aos olhos dos outros, que tambem eles burros ou hipocritas os acham uns “gandas fixes” e que nao tenham qualquer discernimento ou cerebro a funcionar.
O que se passa no mundo de hoje, uma crise de valores, uma confusao entre o certo e o errado, ou simplesmente uma futilidade de farsante, que se impoe como defensora e modelo a seguir. O mais engracado disto tudo e que ha ja nomes bonitos para isto tudo, ate para o seu movimento. A sociedade cobre-se dos cool hipsters, que se passeiam com as suas roupas alternativas, que talvez lhes tenham custado os olhos da cara ou talvez sejam feitas de pele, nas suas mochilas carregam I qualquer coisa que a Apple desenvolveu e mais umas tantas tecnologias caras. Na boca trazem palavras pomposas como organica, urban yoggie (que me faz sempre lembrar da marca de iogurtes), agricultura biologica, vegetarino, veggie, vegan, que agora pelos vistos existem varios tipos, como as religioes, e so escolher a quem mais lhe convem e a que lhe parece mais estilosa.
Cruzei-me com varias especimes desta cultura tao trendy, que me comecaram a enunciar palavras bonitas, que eu nao entendia. Ao inico pensei que houvesse alguma ciencia por detras, que a culpa seria minha, estaria eu mal informada? Fui ao fundo da questao e a primeira que desvendei foi a agricultura organica e biologica.
Perguntei a uma desta especie o que era a tao famosa agora agricultura biologica. A especie altiva e cheia de orgulho, nos pes umas valentes botas de boa pele, comecou-me a contar que tinha ido fazer um workshop desta agricultura, numa quinta em Hong Kong. Em grande estilo ja para comecar. Era vegetariana e defendia-o com unhas e dentes. Ouvi-a com atencao.
-      Sabes, plantamos muitas coisas, havia minhocas e tudo e o mais impressionante foi o facto de usarem o coco das vacas para fertilizar a terra.
Fiquei estupefacta com tanta estupidez. Respondi:
-      Sabes que o coco das vacas se chama estrume e isso ja e usado ha demasiado tempo para que so agora penses que e novidade.
Olhou para mim, sem qualquer reaccao. Afinal a diminuicao de quem cresceu no campo, parece que se transformou agora numa alta inteligencia. Na sua maioria meninos e meninas citadinos, que sempre acharam que ser do campo e menor, e parolo, nao e de bem, acham agora que tudo sabem sobre a vida no campo, e sao tao fixes.
Foi assim que fiquei esclarecida, com a estupidez de quem se quer fazer passar por quem nao e, ou quem pensa ter um tesouro de conhecimento sobre uma das mais antigas actividade do ser humano, que contribuiu para a nossa evolucao de nos seres sedentarios e do viver em sociedade. Parece que tambem faltaram as aulas de Historia. Se nao era assim, nao faco ideia como o primeiro homem fazia a sua agricultura.
Outro especie que conheci tinha acabado de visitar Portugal, um pais de natureza rica e de tradicao agricola. A tentar ser simpatica e a espera que este especie, que tanto gostava de se chamar de alternativo e de dizer comer organico, tivesse uma resposta minimamente inteligente.
-      Ah Portugal foi muito bom, e um pais muito organico.
Fiquei sem palavras, redimi-me a sua ignorancia. E quando lhe olhei para os pes, ostentava tambem ele umas botas de pele, que tanto se gabava por terem sido caras. Uma outra especie, que se auto-intitualava de freaky ou urban yoggie, passeava-se em grande estilo com o seu casaco de cabedal e a sua fashion super trendy. Mas o que interessa e chamar-se vegetarianos, organicos, alternativos. Querem dizer que estao perto de uma natureza que desconhecem. No momento da verdade fogem dela a sete pes, afinal de contas e suja,  nao tem predios, nem lojas de peles para os seus casacos e sapatos.