sábado, 31 de agosto de 2013

O dizer adeus

Viajar, conhecer outras culturas e experimentar com elas estimula a nossa personagem. Tudo isto de andar em viagens parece idílico, contudo tem os seus espinhos. Tem um lado que não se vê, mas se sente... O dizer adeus.
Dizer adeus carrega a sua dor. As frequentes despedidas vão criando uma certa imunidade. Se alguém parte é porque o tem que fazer. O melhor é deixar esse alguém partir... com um sorriso.



Quando se vai andando de país em país, o caminho que traçamos é cruzado com o de outras gentes. Algumas não vale a pena sequer tentar, outras que se tornam amigas. E a essas é duro dizer aquele adeus.
Na vida de Linda já algumas pessoas que o peso do adeus a acompanha para todo o lado. Os amigos que vai fazendo vão indo e vindo, ficam, de certo, mas vão fazer as vidas longe.
Linda conheceu um irlandês, o Lee. A viver no Cambodja há cerca de dois anos, quis ajudar a nossa personagem a situar-se na cidade. A amizade foi crescendo.
Mas o tempo estava destinado a ser curto. Lee estaria de partida em dois meses. Decidiu trocar o Sudoeste Asiático pela fria Europa – Suécia.
Um amor fá-lo regressar ao Velho Continente. Linda diz adeus, mais uma vez. Ao único amigo digno de companhia.
- Se nos tivéssemos conhecido antes, tínhamos nos divertido bem mais -  disse Lee a Linda.
- Sei que tem que ser, mas confesso que me sinto triste. Vai-se embora a minha única companhia no Cambodja, o meu “mate” Vou guardar bons momentos.
As despedidas foram emocionantes para Linda. Trocaram-se elogios e agradecimentos e ambos guardaram consigo o desejo de um passo bem dado.
- Uma pessoa, no meio de tantas outras, mas que é boa. Conheci-a, fico feliz.
A admiração foi sendo construída. Talvez uma primeira desconfiança, cultural, de experiências. A convivência  levou-os a conhecerem-se e a admitir que ambas eram confiáveis.
Lee está de partida. Coisas vendidas, mala pronta. Uma última despedida com os amigos. Lee vai seguir um novo rumo, Linda começou o seu. Fica, abalada com mais um adeus.
- Uma amizade rápida, mas engraçada. Guardo a melhor impressão dos irlandeses.
Na noite de despedida Lee encontrou um velho vizinho da primeira guesthouse em que morou. Sorrisos e cumprimentos, um “catch up” do que se estava a passar em ambas as vidas. O amigo de Linda estava de sorriso aberto.
Na sua direcção vinham mais três amigas. Raparigas cambojanas, modernas e estudadas na Europa. Ao bom estilo do Sexo e a Cidade, versão Khmer não faltaram os cupcakes para a sobremesa e as fotografias para o facebook.
Um jantar, muitos risos e gargalhadas. Boa comida e boa disposição.  Assim, se despediu Lee do Cambodja. Com um sorriso nos lábios e uma saudade antecipada.