segunda-feira, 22 de julho de 2013

Amigas mulheres e seus amores


Linda tentou ter amigas do sexo feminino. Cresceu rodeada de amigos meninos, e era com eles que passava bons tempos. Quando se é uma mulher, há uma altura na vida, que é bom ter uma companhia feminina, para falar de coisas de “mulheres”.
Ela não fugiu à regra e tentou. Desde logo esclareceu que tinha sido um verdadeiro fracasso.
- Não consegui seguir o raciocínio delas. Fiz parte de um grupo de mulheres demasiado mulheres, se calhar, mas aquilo era demais.
Três mulheres, separadas, cheias de vontade de ter homens à sua volta. Num grupo do sexo feminino que se preze há sempre uns estereótipos. Estes eram os de Linda:
- a boazona, que regra geral é meio ingénua ou mesmo nada dada à inteligência,
- a “bitch”, mais astuta e com pose de mulher fatal, a não faltar o cabedal.
- a coitada, menos bonita, mais ressabiada.
Num grupo de mulheres não pode também faltar as idas às compras, nomeadamente de roupa interior sexy a pensar na noite daquele dia. Não pode faltar também a maquilhagem e roupa a pedir “fuck me”.
A “boazona”, era divorciada, tinha trinta e poucos. Divorciada, e obcecada pelo corpo, já bastante moldado por cirurgias e idas excessivas ao ginásio, refugiava-se no sexo para o mostrar.
Enquanto a coisa não passava de umas compras e umas saídas à noite, Linda até se divertia, nem que fosse a ver os movimentos daquele trio de ataque. Mas, quando a coisa começava a envolver o sexo oposto a coisa tornava-se um verdadeiro argumento de novela mexicana. E lá vinham os dramas, os enredos, as vinganças e a espionagem. Episódios de horas.
- Eu não entendia. Elas contavam-me tantas histórias e davam-me tantos nomes, que às tantas perdia-me. Ainda tentei decifrar a cabeça delas, mas sem conclusão à vista.
Um dia a “boazona” conheceu um homem ainda casado, que lhe deu conversa para uma vida, e umas palmadas literais em tempos de discussão.
A ânsia de ser amada e dizer alto que tinha um namorado cegaram-na. Rebaixou-se, deixou-se ser agredida e humilhada com frases como:
- Já acabaste? Vamos fazer as pazes, faz-me um broche.
- E eu fiz -  disse-me ela orgulhosamente.
Isto tudo bem, precisar dela só para o satisfazer é bom, mas o drama era... se eles não atendem ou não respondem à mensagem no tempo achado aceitável… o que acontece…
Cenário: está com outra.
- Não pode o pobre rapaz simplesmente não ter visto a chamada, ou ter-se esquecido do telemóvel?
- Não, está com outra.
Tudo era o pior cenário, que lhe dava umas horas de pensamentos maquiavélicos de uma mulher ferida de amor.
Era eterna a história de ele não lhe dizer nada o dia todo.
- É desta, vai-me ouvir…
... logo em seguida, e ai minhas senhoras e ela que me perdoe, tive que me rir.
- A não ser que ele tenha uma boa desculpa.
Ela já se refere como desculpa. Se é desculpa é porque ele tem alguma razão para omitir a verdade. Se for boa serve, lá se safa o macho de fininho.
Tentei conversar com ela e ela disse-me que o tinha controlado. Mantive-me calada. Ora, não me levem a mal mas, ela estava embeiçada demais e ainda se virava contra mim. E o que menos queria aturar é uma mulher ressabiada.
- No dia em que o conheci não aguentei e disse-lhe tudo o que achava.
- Ele entram-te em cena como a vítima e tu contracenas de Maria Madalena. Sim, porque choras, sentes-te culpada e ainda o perdoas sempre...
O tom elevou-se. Ela negava todas as minhas palavras. Acrescentei:
- Lamento dizer isto, mas nós mulheres, às vezes, somos patéticas. Queremos controlar, mas ficamos ceguinhas quando um badameco nos dá um mínimo de atenção. Nem que se seja porque quer em dobro… enfim lá se vai a dignidade que se lutou durante anos pelo papel da mulher.
A coisa passou, simplesmente porque ele ainda não tinha dito nada naquele dia... outra vez. E tudo volta ao mesmo. Não há dúvida que o desespero é cego, surdo e mudo.
- No dia seguinte o drama repetiu-se. Em vez de me ouvir, queria-me aliciar a fazer o mesmo. Eu disse-lhe:

- Convence-te moça airosa da minha terra, que com tanta ânsia de tudo, ganha-se nada.